O esforço que faço para não tocar no que sinto quando estou contigo.
Para não tocarmos sequer no assunto.
Quando é que isto me passa.
Quando é que me passa a vontade de chorar quando me apercebo de que o que sinto por ti não têm a mínima hipótese.
Quando é que me passa a vontade de encostar os meus lábios aos teus quando te vejo.
Quando é que deixo de adorar a curva das tuas costas.
As tuas unhas todas mal pintadas.
A maneira como te vestes.
Os teus sapatos descosidos.
A tua alegria de viver.
A tua confiança.
No fundo, tudo o que tu tens de tão diferente de mim.
E tudo o que temos em comum.
Há pessoas que têm sonhos, objectivos, materiais, sociais, de carreira, eu sei lá.
Sei somente que todos os meus me parecem secundários, inúteis, quando penso no prazer que me poderiam dar quando os alcançasse, e penso no que sentiria se um dia me amasses.
Sim, um dia vou achar umas sapatilhas de que goste, mas se for para andar sozinho, perco logo a vontade de as comprar.
O que eu gostava que a minha vida se regesse por um sonho material.
Quando compro o que quero, geralmente a "hype" dura até chegar a casa e abrir o pacote.
Depois até podia mandar para um monte atrás da porta.
Não passam de coisas.
Não me preenchem o vazio.
E são tão poucas as pessoas que tem hipóteses e condições para o fazer.
Preencher o raio do vazio.
Merda de sonhos. Deixam-me a vida em "ponto morto".
Não quero morrer nem quero viver.
Não quero escolher sequer entre uma das duas.
Só te queria a ti.
Neste momento o único sitio que me parece acolhedor é o rebate das portas do teu coração.
Levo umas caixas de cartão e deixo-me lá ficar.
Que estúpido que sou.
Porque é que mesmo sem esperanças, insisto em continuar?
Continuo a sonhar.
Porquê?
O que é que eu fiz á minha racionalidade?
A realidade aleija e salga-me os olhos.
Sunday, 12 October 2008
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