Sunday, 9 November 2008

Bem, está provado que sou uma besta.
Primeiro, quando estou contigo, não consigo sorrir apesar de me sentir feliz.
Incrivelmente merdoso, foi como me senti ao reparar nisso.
Nas fotografias deste fim de semana.
Apesar de guardar cada momento cá dentro, no fundo, num lugar só meu.
Às vezes ainda me consegues arrancar um sorriso.
Tens potencial para tanto mais e nem imaginas.
E nem to mostro.
Depois, volto a ser uma besta, ou pelo menos a sentir-me uma, quando te mostro, isso sim, o meu lado mais negro.
Não o devias ver.
Eu sei que não te escondo nada, mas minha luz, tu mereces tudo menos a minha escuridão.
Eu já não tenho salvação.
Está-me entranhada nos ossos.

E tens razão, tenho esperanças.
Vou ter enquanto sentir o que sinto por ti.
Vou esperando que um dia acordes e penses em mim da mesma maneira que eu penso em ti.
Que o sintas.
Que um dia eu tenha a coragem para te dizer cara a cara o que sinto por ti.
Sem medo de te magoar, sem medo de sair de lá magoado como se me tivessem amputado a alma.
Nada que tu não saibas ainda.
Mas o que eu suspiro por esse momento.
O princípio do fim, ou o princípio de alguma coisa.
O melhor seria ser, na pior das hipóteses, uma continuação.

Sim, eu sei que por um lado tens medo.
O mesmo medo que eu tenho de pôr em risco o que temos.
Mas também sabes que a passar-se alguma coisa entre nós, teria de ser entre nós, não entre os nossos corpos.
Eu não quero o teu corpo.
Quero a pessoa que tu és.
Quero dar-te a pessoa que sou.
Mas tu já sabes isso.

Depois acho piada que penses que me consegues "dar a volta".
Por um lado só mostra que ainda não percebes que tudo o que te faço, tudo o que te ajudo a fazer, acontece só porque gosto de o fazer.
Que já decidi por mim que o ia fazer.
Que me faço desentendido e parvo.
Se chamas a isso uma fraqueza, então sim, sou fraco, fraco por gostar de ti ao ponto de me subir o ego saber que sorris por algo que eu fiz.
E vou continuar a fazer até me fartar ou enquanto me deixares.
Mas também te vou facilitar a vida e tentar não te mostrar tanto do que sou.
Dar-te menos para ignorar.
Não te prometo conseguir, mas podes ter certeza que vou tentar.
Mensagens parvas, assuntos banais, com o mínimo de sentimentos a flor da pele que me for possível.
Menos hipóteses de te iludires num qualquer momento de fragilidade ou carência emocional.

Se há algo que não quero ser na tua vida, é ser considerado um erro.
Um falhanço.
A acontecer e a acabar, preferia ser lembrado como uma experiência memorável, que teve o seu tempo, foi vivida e apreciada intensamente, e que naturalmente chegou ao fim.
Que passado uns anos, numa qualquer conversa de café falássemos saudosamente dela, mas sem sentir a necessidade de a reviver.
Mas como já te disse, e contra a minha vontade, sou o primeiro a admiti-lo, não se vai passar nada.
Não o queres e eu respeito tanto isso.
Temos medo.
Eu tenho, tu não?
Até de viver.

Por isso, minha luz, brilha o mais que conseguires, porque do fundo da minha escuridão, vou continuar sempre a apreciar e a tentar alimentar esse teu brilho, do topo dessas tuas meias amarelas.
Não te cheguei a dizer que adorei ao vê-las nesses teus sapatos vermelhos.