Sunday, 2 November 2008

Este fim de semana apeteceu-me tanto ir até Santa Apolónia, só na esperança, impossível de realizar, de te encontrar lá.
Pareço um cachorro estúpido a correr atrás dos carros.
Só que eu corro atrás dos sonhos, dos meus.
E tu invariavelmente, entras neles.

Apeteceu-me, mas não fui.
Fui antes ver Peter Murphy ao coliseu com um casal amigo.
Peguei no meu casaco de ganga preto a cair de velho, nas chaves do carro, e lá fomos nós.
Ela já ia avisada, "Se me vires chorar dá-me um estalo por favor."
Podia ter voltado a casa cheio de nódoas negras, mas lá me aguentei.
Depois senti uma necessidade estranha de partilhar o que tinha vivido contigo.
Não descansei enquanto não te enviei uma mensagem a dar-te conta do quanto o concerto foi espectacular.
E tu a trabalhar.
Além de me estar a comportar como um chato, ainda te atirei á cara que havia quem se estivesse a divertir.
Adormeci e acordei a pensar em como é que teria sido o teu fim de semana de trabalho.

Tive ataques de insegurança.
Mas de uma insegurança a que não me vejo com o direito de ter.
Será que conheceste alguém interessante?
Para alguém que é precisamente o meu oposto, não acho que seja necessariamente complicado.
Para alguém como tu, acho até bastante fácil.
Só uma questão de oportunidade.
Tenho de mentalizar que vai ser o rumo normal desta situação.
Um dia acontece.
Tenho de me preparar para isso.
Como se alguma vez fosse possível estar preparado para ver a pessoa de quem gostamos nos braços de outra.

Nestes momentos parece que o meu lado racional acorda, ainda que os momentos não passem disso mesmo, fracções de segundo de lucidez.
Lucidez...
Tento acreditar que sim, que são.
Momentos em que oiço uma vozinha ténue e irritada a dizer-me para ter juízo.
Para me deixar de merdas.
Para não dar nada de mim a quem quer que seja, se essa pessoa não lhe dá valor.
Se essa pessoa não me corresponde.
Que voz egoísta.
Em qualquer relação interpessoal, a confiança troca-se por confiança, até que uma das partes falhe.
E tu dás valor ao que te dou.
Simplesmente não o queres para ti.
Falhas só na ultima premissa.
Só.

A situação desgasta-me, cada vez mais.
Tenho de ganhar juízo.
Tenho de deixar de acordar com vontade de te dizer que te adoro.
Tenho de deixar de pensar em ti.
Mas parece que tudo na porra do universo aponta na tua direcção.
Tinha de ser eu o erro cósmico?
Sim, porque tem de ser engano o universo apontar na tua direcção se não estás interessada em pegar na paixão que sinto por ti.
Se não estás interessada em transforma-la em amor.
Tem de ser uma falha no meu universo direccionar erroneamente os meus sentimentos.

Enfim.
Espero ver-te no próximo fim de semana.
E já sei que vou andar a suspirar por isso.
O esforço que vai ser para controlar a ansiedade.
Mas hei de conseguir.
Não porque te aborrece saber que estou assim, mas por mim.

Para me convencer a ouvir a puta da vozinha, as vezes ainda penso que tudo o que sinto por ti, sinto-o por mim.
Que gostar de alguém não passa de um acto egoísta.
Onde gostas, porque no fundo, te sentes bem a fazer alguém feliz.
Porque te aquece o ego saber que és a origem da felicidade de alguém.
Mas só pensa assim que nunca sentiu na pele a felicidade oferecida genuinamente por alguém.
Suspeito que seja esse o meu caso.
Suspeito que seja isso que quero mudar.
O ponto de vista sobre algo que considero vital na vida de qualquer pessoa.
Amar e se amada de volta.

Dá-me vontade de chorar ao saber que não vai ser contigo que vou mudar de opinião.
Que não me vais mostrar que estou enganado.
Nada de novo, só estou a ganhar consciência.
São os momentos em que acordo...E sim, choro.

Depois surge esta força não sei de onde, que me dá vontade de lutar por ti contra tudo e contra todos.
Como é que vou fazer isso sem que o mundo me esmague?

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