Saturday, 9 May 2009

Ontem fui ver um concerto.
As letras eram fodidas, impossíveis de não as associar ao que sinto, ao que vejo todos os dias na borda do caminho que escolhi.
Impossiveis de não nos espremerem nos pontos mais negros da alma.
E nestas situações, as músicas que ouvimos na altura, ficam completamente marcadas.
Como se algo negro pairasse sobre nós cada vez que as ouvimos.

Estranhamente ontem sorria a cada música.
Pensava em ti e sorria que nem um parvo, daqueles que ouve a banda a tocar, fica ali completamente estáctico, com arrepios na espinha, a apreciar a música...
E no meu caso a pensar "Ela ia adorar ouvir isto".

Hoje no entanto estou como o tempo.
Cinzento e de chuva.
Sim, vi-te no messenger.
Disse-te qualquer coisa banal e "fugi" antes de ouvir a resposta.
Só a probabilidade de lidar agora com o teu possivel mau humor faz-me cair ainda mais fundo.
E eu só sei fugir de tudo o que me pode magoar.
Evitar lidar é a mais facil e covarde fuga.
Nisso devo ser campeão.

Até evito a possibilidade de ter uma qualquer notícia tua, só porque existe a hipótese de me magoar.
Evito o que realmente quero porque o processo me pode magoar.
E isto, este processo de fuga, faz-me sentir como que a "desevoluir", a estagnar.

Não curo as feridas, não sigo em frente porque teria de enfrentar a possibilidade de me abrires mais, e de o aceitar...
Como se fosse melhor viver com um sonho só meu...
Um pelo qual só a minha vontade e esforço não chegam para que se venha a realizar.

Nunca vai, mas eu continuarei a insistir, ou por ser teimoso, ou enquanto acreditar no que sinto.
Se não acreditasse, nem me dava ao trabalho de andar como ando e odeio.

Quando é que ganho juízo?
Quando é que me volta a razão?
Até lá, estupidamente teu, mesmo que não te sirva para nada...

No comments:

Post a Comment