Se há dias em que a esperança entra em coma, hoje é um deles.
Realmente, parece que morri e agora estou a envelhecer.
Tento aguentar.
Tento esconder.
Tento ultrapassar.
Sinto-me a arrastar pela vida em vez de a apreciar.
O peso acumulado da chuva verga-me a coluna.
Não me arrefece mais nada senão os ossos.
Costumava sorrir quando a sentia passar entre os cabelos.
Quando sentia as gotas a explodirem entre os óculos e os olhos.
Quando saía dela para um qualquer lugar seco e abrigado.
Mas de repente parece que até isso se perdeu.
E a cada dia que passa imagino que já tenhas cedido a alguém o teu mais terno afecto.
Eu, apetece-me chorar como uma criança por recusares o que te queria oferecer.
Por não os partilharmos um com o outro.
Que maduro da minha parte.
Provavelmente sou eu quem precisa do tempo.
Para me conformar com o que perdi, quando tu, e muito bem, já o deves ter feito desde o dia em que partiste.
A cada dia que passa sinto-me cada vez mais perdido por não te ter por perto.
Ainda não cedeu, e parece continuar agarrado às saias da esperança de ganhar o teu.
Este meu coração cego de todo com o brilho dele.
Vamos ver hoje, qual dos dois consegue descansar.
Nem tudo é mau, a chuva até ajudou.
E seja como for, só quero que estejas bem, mas por favor, como quiseres, volta depressa.
Antes que eu descubra o quão fatais ou destrutivas podem ser as saudades...
Tuesday, 20 October 2009
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