Sunday, 28 February 2010

Os dias sem ti são os que mais me fazem sofrer.
Os que menos me custam a envenenar de sono.
A tentar matar.
A tentar porque resistem.
Acordam a meio da morte.
Arrancam-me a tristeza pelos olhos.
E eu aos gritos de pânico digo-lhes que é tempo da noite.
Que já não fazem sentido existirem.
Que agora vive ela.
Que eles magoam por serem sem nada.
Sem luz.
Sem ti.
Nem presença.
Nem palavra.
Escrita ou dita.
Só este silêncio pesado.
Só a certeza cruciante de que os sonhos não passam disso.
Os meus não passam disso.
Não tem a mínima hipótese.
Dói tanto a falta de esperança.
Dói este sentir que não acaba.
Ou que teima em resistir.
Tal e qual os dias que acaba por definir.
E eu não passo disto.
E eu desapareço na escuridão turbulenta.
E eu não sei o que o alimenta.
Só o sinto e não existo.

Fazes-me mais falta do que alguma vez to vou dizer.
Do que alguma vez to vou mostrar.
Tu e a tua paixão pela vida.
Não quero nem consigo entender para onde vai este caminho.
Mas continuarei a andar devagarinho.
Como um cão a farejar pelas sarjetas.
Como um cão que viu em ti as cores do mundo.
As cores todas.
Que ficou completamente deslumbrado.
Que continua tão deslumbrado hoje como no dia em que as viu.
E que ainda sem compreender o que viu, sabe que não se lembra de alguma vez ter visto algo tão bonito.
Sabe que ninguém acredita nele.
E que não as vai voltar a ver.

Não é só o céu que fica cinzento na tua ausência...

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