se antes usava a desculpa de estares longe para controlar a ansiedade, hoje, é-me difícil de o conseguir fazer estando tu somente á distancia da tua vontade.
parece-me que essa consegue ser ainda maior.
e mesmo assim acho que és uma parva quando te vejo a pensar que ainda posso por em risco a tua presença na minha vida por um qualquer acesso de luxuria.
quando te afastas porque gosto de ti e me sinto bem a fazer-te sorrir.
quando aproveito com unhas e dentes cada oportunidade que tenho ou que me cedes.
por mais que te deseje, por mais que te queira, a tua presença, a tua confiança, vale muito mais que isso.
sim, tenho andado uma merda nestes últimos tempos, porque efectivamente, faz-me falta falar e estar contigo.
só nesses momentos consigo algum sossego.
e se eu preciso de sossego para voltar a ser o amigo que tinhas.
compreendo-te.
não gosto, mas compreendo.
tenho de o encontrar por mim.
não se pode construir a nossa felicidade com base noutra pessoa.
não nos dias de hoje.
nem nunca.
é arriscar demasiado.
e eu, eu até arriscava por ti, mas tenho de perceber que isso, essa perspectiva, é só minha.
a dificuldade que tenho não é em ficar ao teu lado, mas sim deixar de estar.
se ser adulto, ser maduro, é sofrer e calar, então hei de ser sempre uma criança.
porque magoa, dói, sentir-te afastar.
dói o silêncio que acompanha esse afastamento.
estar a perder aquela que considero a minha melhor amiga por gostar demasiado dela.
o que eu gostava de deixar de sentir o que sinto por ti.
se eu pudesse, se eu pudesse voltávamos ao que éramos e isto tudo não ia passar de um dos meus acessos de estupidez.
e saíamos os dois incólumes desta situação.
eu sinto falta, saudades, desse tempo.
de quando me falavas só porque me vias.
onde me dizias tudo e mais alguma coisa, por mais parvo que pudesse ser.
e me deixavas ouvir, extasiado com o facto de ter encontrado em alguém um ponto de equilíbrio.
o yin do meu yang.
e não, não acredito.
não acredito que me volte a acontecer.
até hoje, em nenhum dos acessos de estupidez que tive, encontrei alguém que se encaixasse tanto nas minhas falhas.
mas isso, agora, não vale nada.
encontrar alguém assim acontece-nos uma vez na vida.
não me vou perdoar de ter feito merda contigo.
de te ter perdido.
esse peso, vou ter de o a carregar até morrer.
mas por favor, cede-me a tua companhia.
fala comigo.
estou aqui, deste lado.
existo e sou bem real.
o teu silêncio deixa-me paranóico e faz-me sentir excluído do teu mundo.
como se lhe fosse nada.
e tu, tu és uma parte incontornável do meu.
e preciso de te ouvir.
preciso da tua companhia.
o horror que eu tenho a pedir-te isto.
a sensação de dependência que tenho da tua presença.
mas é o que sinto todos os dias ao acordar.
a tua falta.
já me basta o que me vai doer quando encontrares alguém.
porque há de acontecer.
só um estúpido é que não se sentia feliz com essa oportunidade.
já não basta quando tiver de ser.
mas tem de ser já?
odeio fragilizar-me e expor-me desta maneira, mas debaixo desta pele, entre a carne, tripas e coração, vai uma tempestade do tamanho do mundo.
provavelmente não volto a ter noticias tuas senão o email casual com um assunto qualquer de interesse público.
só mais um endereço do meio dos outros todos.
e eu tenho medo de me conseguir afastar.
sempre que o fiz, das outras vezes, não me voltei a aproximar.
ajuda-me a ultrapassar isto.
não te peço nada que não me possas dar.
ambos sabemos que o que viermos a perder é irrecuperável...
Monday, 12 April 2010
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