Friday, 30 July 2010

lembrei-me da maldita estação de Santa Apolónia.
as memórias que não me largam...
..largaste-as tu com toda a legitimidade.
nisso gostava de ser assim como tu.
de deixar para trás pessoas e recordações destas.
de deixar de sonhar acordado.
parece que os olhos estão intermitentes.
entre o estarem "abertos" e o estarem "fechados".

dou comigo a imaginar que me beijavas.
e eu a dizer-te que não sabia de onde é que te tinha vindo isso, mas gostava de saber para poder armazenar caixotes disso lá em casa.
nem quero saber se vem em comprimidos, em pó, em xarope ou sobre a forma de uma bigorna.
desde que eu pudesse trazer sempre um bocado comigo para quando nos encontrássemos.
independentemente da desculpa que o justificasse.
agora estou-me a ver a arrastar uma bigorna pela rua.
ainda são pesadas.
leves comparativamente á vontade.
as coisas parvas, que mesmo conscientemente, eu ainda sou capaz de fazer por um beijo teu.
pelo sonho de um beijo teu.

só mesmo em sonhos que tenho de deixar.
é o mesmo que deixar-te a ti, e se os sonhos já custam a deixar...

p.s.: chego a pensar que a bigorna, por vezes, segue dentro do peito...

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