sempre matámos as saudades, ainda que por momentos. lembro-me de te beijar na cara ao despedir e sair disparado sem olhar para trás. não podia olhar para trás. ainda hoje não posso olhar para trás. mas tu sabes que ainda hoje não deixei de olhar para trás. queria abraçar-te e dizer-te que não tivesses medo. que não te ia tentar beijar. mentir-te e beijar-te na testa. explicar-te que por mais que a paixão e o desejo me atentem, a tua confiança e a tua companhia valem-me tudo. e que é delas que senti falta. que sinto falta. que me irrita gostar tanto de ti, em vão, e não encontrar maneira de lhe dar um fim ou explicação. que me dói saber que isso nos afasta. que me dói saber que não vai ser contigo que vou partilhar os dias que faltam à minha existência. dizes-me que estou a desperdiçar a minha vida. mas como é que eu ia conseguir viver sem ter tentado tudo por uma pessoa que adoro tanto? se a tua falta tem noites que me tira o sono, essa minha covardia ia-me tirar o sono nas noites restantes. disse-te tanta vez que ainda não estava pronto. e confirmo. o facto de ires fugir para outra cidade deu cabo da minha resistência. de repente parece-me que já nada me agarra aqui. e tu sabes que se quisesses eu nem olhava para trás desde que fosse atrás de ti. mas não pode ser. se por um lado tinha três medos, de agulhas, dentistas e de te perder, pela ordem inversa, agora tenho medo do afastamento que aí vêm. o egoísmo é uma porcaria. quando o sou eu a impor, sei que o posso sempre retirar quando achar que estou preparado. sem te esquecer, sem deixar de gostar de ti. quando és tu que o fazes, ou qualquer outra entidade externa, volto a morrer dia após dia com o medo de ser desta que te perco. e este afastamento assusta-me e muito. assusta-me não te poder dizer o que sinto porque te incomoda. porque tal como eu ainda não sei viver com a tua rejeição, apesar do esforço, também tu ainda não sabes viver com o que sinto por ti. este afastamento pode ser o que falta para desistires completamente de mim.
só eu sei o quanto gostava de encontrar alguém de quem gostasse mais do que gosto de ti. porque eu não quero gostar menos, porque não te quero esquecer e nem te quero fora da minha vida. se este querer te incomoda, desenrasca-te. não to digo para que mudes de ideias porque nisso somos iguais. o que mais temos em comum é teimosia e falta de sintonia emocional. mas espero que não me desapareças. que te esforces para aceitar o que sinto por ti tal como eu me esforço para seguir em frente e voltarmos ao que éramos. depois disto que estamos a viver, seguramente mais fortes. e espero que felizes. eu adoro-te tola. vê lá se entendes isso e que estou a fazer o que posso para acabar com a miséria que tem sido este sentimento órfão de mãe. faço o que for preciso para não te perder da minha vida. seria perder uma parte tão importante dela…
Friday, 9 September 2011
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