Meu amor, não nos quero nada que envolva um sentimento de posse e uma limitação da tua e da minha liberdade de amar, de viver, genuína e plena.
Que é como devemos oferecer o nosso amor e o que somos, a quem achamos que merece. À pessoa digna da nossa confiança.
O que eu gostava de ser digno do teu, e ver-te digna do meu.
Se calhar, lá no fundo, o que eu procuro é uma cúmplice para assaltarmos os bancos de jardim da vida, e vir de lá com os bolsos cheios de felicidade.
Sozinho também consigo, mas de que nos vale a felicidade se não a podemos partilhar com quem amamos.
É como ser rico, e todos os que andam á nossa volta, andam porque lhes pagamos. Um ser solitário.
Por vezes acho que uso a palavra amor vezes e cedo demais.
Para amar, não basta acreditar no que sentimos, não basta expor literalmente o que somos, aceitar a pessoa que dizemos amar como é.
Porque amar não é um compromisso, é algo que vem do fundo, sem peso, sem amarras, sem dúvidas, sem medos. Espontaneamente disponível dentro dos limites do nosso umbigo. Porque para amar alguém, temos primeiro de nos amar a nós mesmos.
Não quero que te assustes com o tamanho do que sinto.
Que aches muito cedo para lhe chamar o que chamo.
Que aches que é demasiado para ti.
Que se calhar não queres tanto.
Para mim, é do tamanho do mundo. E ainda fica maior se lhe juntar o teu.
E eu não tenho pressa para o sentir. Porque já o sinto. Nada a fazer.
Se é demasiado para ti e não queres tanto, aí, só te posso dizer que é tudo o que tenho. E guardar o que quer que fosse ia-me poluir a alma sabe-se lá durante quanto tempo.
Sentimentos retraídos, recalcados cá dentro, destroem-nos completamente.
E se não quiseres nada, a minha árvore continuará a crescer a partir daí, mas com o teu nome gravado bem fundo na sua casca...
P.S.: Apetecia-me falar contigo...
Saber qualquer coisa tua...
Qualquer coisa...
Será que amanhã teremos mais para dizer um ao outro?
Monday, 22 September 2008
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