Não quero os teus abraços e os teus beijos.
Quero, mas não tos exijo.
Não tenho esse direito.
Sinto-me como um vampiro e o meu sangue é a tua companhia.
A tua ausência, os pregos do caixão onde estou encarcerado.
Olho para as outras e a única coisa que consigo ver é que não és tu.
Não é a tua pessoa.
Como é que me deixei enfeitiçar assim?
Como é que quebro o dito?
Quem é que me arranca a merda dos pregos?
Quem é que me espeta a estaca no coração?
Cada vez que o coração nos manda abaixo, achamos que é sempre pior do que a anterior.
Hei-de sobreviver a mais esta.
Mais uma vez.
E o que sinto por ti não vai morrer.
Vai resistir oculto.
Escondido.
No meio da solidão, há de um dia ser substituido por outro maior.
Outro que o deixe lá a viver no seu canto.
Em segundo plano.
Mas vai continuar a existir.
Gravado nos ossos.
Marcado a vermelho.
Como todas as cicatrizes de uma alma apaixonada.
Que luta pelo que quer.
Pelo que acredita.
Como toda e qualquer marca que as pessoas que entraram na minha vida deixaram.
Umas mais superficiais.
Outras mais fundas.
E outras que me trespassam...como a tua.
Friday, 24 October 2008
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