Sinto-me condenado a ter de aceitar o que as outras pessoas querem para mim.
Ou pensam que é melhor para mim.
Criam uma imagem do que eu sou, e depois, de formatado e com o rótulo na tromba, indicam-me o caminho que devo, que tenho, de escolher.
Como se eu tivesse opinião no assunto e a escolha não tivesse sido feita previamente. Por eles.
Depois espantam-se que me retraia em relação aos meus sentimentos.
Que os proteja, que os guarde, bem cá dentro e no fundo.
Cada vez que espreitam por uma frecha da alma alguém lhes vara um olho e manda-os á merda.
Criticam qualquer opção que lhes saia do padrão em que me encaixaram.
Fiquei com a sensação que achas que não és a pessoa indicada para mim.
Diz-me antes que não queres para ti alguém como eu.
Isso eu compreendo.
Agora fazeres a minha escolha por mim, não.
Não te tornes iguais aos outros.
Dos quais me escondo.
Que de tempos a tempos me chamam frio, bruto, insensível, só porque não lhes permito que me voltem a magoar.
Porque sim, mostrar o que sinto é para mim uma fraqueza.
Como diz a outra na música dela "Coração nasceu para bater, não nasceu para apanhar".
Mas o meu apanha mais que o rabo de um gay cada vez que tem a ousadia de mostrar um bocadinho do que lhe vai debaixo da pele, dentro da alma.
Escondê-los é a minha protecção.
A ti mostrei-tos, como se tu não entrasses por mim a dentro sem pedir licença.
És a única pessoa que consegue olhar para a minha cara de "jogador de poker" e saber se está tudo bem ou não.
Lembra-me para nunca jogarmos poker.
Mandaste-os á merda, mas não sei porquê até nisso conseguiste ser diferente.
E porra se me dói.
E porra, porra, porra, se existe uma explicação racional para o meu estado.
Não nos vemos assim tantas vezes, e a tua ausência marca-me tanto.
São noites em que acordo a meio com os olhos baços de tanta lágrima.
São manhãs onde a minha única vontade é ficar deitado á espera que a apatia passe ou o coração pare.
Dias a olhar para a linha do metro e a imaginar como seria se um dia num acesso de loucura me espetasse contra um.
Até já dei por mim a avaliar a velocidade com que chegam e concluí que o metro é lento demais.
Se fosse para desistir de vez, não podia correr o risco de ficar dependente de terceiros ao correr mal.
Mas não me vejo a desistir.
Pergunto-me se seria capaz, só isso.
Se fosse nem falava no assunto.
A estupidez covarde e velhaca que me governa.
E a esperança que fosses tu o meu golpe de estado.
Eu sei que não me dás nenhuma.
Mas continuo a sonhar contigo.
Continuo a pensar em ti.
Vale-me a minha auto-estima baixinha e refilona para me ir aguentando.
Como já te disse uma vez, no dia que eu deixar de me lamentar e de continuar, podes preocupar-te.
Enquanto me for lamentando e andando, o perigo anda longe.
Depois há as vezes em que nos vemos e me perguntas como estou.
Há dias que parecem noites,
chuvosas, longas e frias,
em que o coração leva uns açoites,
por me lembrar do que ele queria...
Não, não és a solução para os meus problemas.
Não, não és a pessoa que me falta na vida para ser feliz. Isso vai-se descobrindo, não se escolhe.
És simplesmente o caminho que eu mais gostava de seguir.
De explorar e descobrir.
Estás-me vedada pela tua vontade e pelas circunstancias.
E isso sim, magoa-me.
A puta da realidade que eu tanto gostava de torcer de modo a poder seguir por ti...
Saturday, 18 October 2008
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