Depois de uma semana de merda, não imaginava.
Estavas linda na sexta.
Eu acho-te sempre, mas na sexta.
Não sei se foi de te ver dormir no cinema, mas deitei-me com um sorriso que não sabia ter.
Dormi como há muito não dormia.
Já devia saber que depois de um pico de felicidade, vem uma curva descendente.
Se num dia parece que damos um passo em direcção a "nós", no outro parece que andamos três na direcção oposta.
E ver-te afastar é o pior que me pode acontecer.
Já devia saber.
O "nós" é só meu.
Por isso, no sábado, ver-te desaparecer ao fundo da rua, de dentro do táxi no Rossio, revelou-me uma das piores recordações da minha vida.
Até aos dias de hoje.
Não é drama, é verdade.
Detonou-me cá dentro um ataque de ansiedade como há muito não tinha.
O suficiente para passar o domingo a chorar.
Ainda achas que me vais magoar?
Seja qual for a saída para esta situação, eu só me vejo a sair dela a perder e a sofrer.
Por isso, se esse é realmente o busílis da questão, a acontecer, certifica-te que me acabas com a miséria que é viver assombrado por um sonho.
Um que em vez de falhar, ficou por tentar.
Já me sinto vazio que chegue.
Deixa-me pelo menos uma recordação para encher a alma.
Mas de algo vivido, não sonhado.
E não, não me importo de sair a sofrer, desde que seja contigo.
Os falhados enterram-se depressa.
E eu, eu quero-te.
Demasiado, se é que é possível, e só a ti.
No mínimo, na minha vida.
E mais que o suficiente para não te excluir dela se falhar.
Já basta de amordaçar o que sinto.
Já basta de ter vergonha do meu desejo e da minha paixão.
Adoro-te, mas tanto, tanto...
Que se lixe o medo.
Por favor, diz-me qualquer coisa durante a semana.
Diz-me que não gostas de mim, que não presto para ti.
Ajuda-me a matar o que sinto de vez se não é para o viver.
No próximo fim de semana não estou, e a ideia de estar duas semanas sem te ver só me faz sofrer ainda mais.
Pareço uma daquelas crianças a quem tiraram um doce.
A percepção da minha estupidez é cada vez maior.
Mas a comiseração tem de ficar á porta.
Se quero ser feliz contigo ao meu lado, não posso baixar os braços nem abandonar o bom senso.
A linha é ténue, mas da próxima vou to dizer...
Sunday, 16 November 2008
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