Wednesday, 24 December 2008

Hoje fui sem expectativas.
Não sabia o que me esperava.
Não quis imaginar nada.
Fiz um esforço parvo para ignorar qualquer sonho que pusesse a cabeça de fora para vir dar cabo da minha por dentro.
E foi bom.
Adorei cada momento que estivemos juntos.
Mentira.
Não gostei de ouvir tanta vez seguida a "Unchained Melody" enquanto pensava em como é que te ia ajudar no que me pediste.
"I hunger for your touch" e de que maneira.
Escusavas era de mo lembrar.
De acordar esse monstro.
Só me apeteceu agarrar em ti e beijar-te com o maior dos desejos.
Aquele que tanto tento controlar quando te vejo.
Aquilo foi uma tortura emocional.
Mas aguentei-me sem dizer nada estúpido.
Mais importante que isso, se fazer nada estúpido.
Acima de tudo apreciei a tua companhia.
Matei algumas das saudades que tinha de ti.
E isso sim, foi bom.
Soube-me realmente bem.
o meu presente de Natal.

Não tive medo de te desiludir com qualquer comportamento.
Não quis pensar se te desiludia com o que não fazia e poderias estar á espera, ou se te desiludia com algo que fizesse.
Não quis pensar no desejo que acompanha o que sinto por ti, e se eu te desejo.
Ai como eu te desejo.
Ao ponto de ter dúvidas se o meu auto-controlo quando estou contigo é um defeito ou uma qualidade.
Mas tendo em conta a minha auto-confiança, e o que se passou antes, prefiro pensar que será uma qualidade.
Mas preferia ter um defeito.

Continuo a precisar da tua ajuda.
Em relação a nós e ao que poderemos ter mais, ou simplesmente a manter o que temos.
Caso não tenhas percebido, até porque, quem é que hoje em dia perde tempo a pensar nos problemas dos outros, eu tenho vários defeitos.
É o que conheço melhor em mim.
E no que diz respeito a qualquer relação, pessimista como sou, assim que aparece a hipótese de sequer ser uma, começo a pensar que vai correr mal, acabo por a direccionar instintivamente nesse sentido, e assim que o resultado se confirma, fujo, não resolvendo o problema que tenho em mim, não resolvendo os problemas que possa causar aos outros, mas pura e simplesmente afastando-me deles e das consequências dos meus actos.
E eu não suporto a ideia de me afastar de ti.
Até aí, tu tens estado á altura.
E eu, não sei se é falta de confiança, duvido que esteja.
Nesse aspecto também não te peço desculpa.
Só espero que percebas que isto é tudo o que agora sou, com defeitos e qualidades, mas que te adora.
Que acredites em mim e nas minhas capacidades de vir a ser melhor.
Que hei de vir a descobrir ou a trazer á tona quaisquer qualidades que tenha.
É uma questão de também vencer os meus medos em relação a ti.
O medo de voltar a falhar o momento do beijo.
Se é que alguma vez vai voltar a existir um.
O medo de alguma vez matarmos este desejo que arde aqui dentro, e porra se isso me assusta, não pelo acto em si, mas porque não consigo pensar nele isoladamente sem pensar nas possíveis consequências que poderia ter para o nosso relacionamento.
Mas nem vale a pena pensar nisso
Nem beijar-te consigo com medo de te perder.
Ainda me vou arrepender disso, mas tanto, tanto.

Não quero pensar nisso.
Quero apreciar os momentos que estou contigo.
É a única coisa a que estou autorizado.
Claro que sonho com mais, muito mais, mas isso é um luxo a que não me posso dar.
E é chato guardar cá dentro, bem acorrentados, estes dois monstros.
O desejo e a paixão que sinto por ti.
Escondê-los como escondo é uma merda, mas se mostra-los implica perder-te, ficam presos.
O que eu gostava que me dissesses o contrário.
Mas isso para mim já é sonhar.
Como diria o Jeff Buckley, "Blues are an aching heart desease...".
Fez-me lembrar a frase pirosa que disseste que o teu pai tinha no msn.
Este "aching heart" quer é o teu calor e a tua alegria.
Só quando está contigo é que se alivia da sua doença.

As vezes ainda penso, que sabendo tu o que sabes sobre o que sinto por ti, deve haver momentos em que ficas a pensar "Este gajo é mesmo cromo. Não avança nem por nada."
Pior que isso.
Sonho acordado e não distingo esses momentos da realidade.
A própria possibilidade da sua existência é um sonho para mim.
Pior que ser cromo, é ter a noção de que se é, não ter a coragem para arriscar, e recriminar-se por isso.
Mas acho que está tanta coisa em jogo, ou então, estou a complicar para me desculpar.
Odeio sentir-me tão carente e inseguro.
É um ciclo lixado de quebrar.
Tão lixado como aprender a demonstrar afecto nos momentos certos.
E para a próxima escolho eu a música.
"Oh my darling, I hunger for your touch".
Bolas, os barulhos que oiço não são de uma barriga com fome.
Vem de mais acima...

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