A letargia tantalizante que se apodera de mim com a tua ausência.
Anula-me completamente.
A vontade de ser alguém desaparece, esvai-se.
A única coisa em que consigo pensar é no que poderás estar tu a fazer com o teu tempo e deixo de ter vontade de viver o meu.
Doentio.
O que sinto por ti não me pode anular.
Não o posso permitir.
Se há coisa em que concordamos, se te conheço minimamente, é nisto.
A verdade é que fins de semana sem ti são do pior.
Sábados sem ti não têm metade da piada.
Merda, sem ti Lisboa não tem metade da piada.
Tudo sem ti perde no mínimo metade da piada.
Não pode ser.
Tenho de encontrar vontade em mim para não pensar assim.
Eu quero fazer parte da tua vida.
Mesmo que seja no papel mais insignificante.
Mas não tenho o direito de to pedir.
De ambicionar mais do que o que me dás.
E bolas se eu gostava de partilhar a minha contigo, mas mais que isso, gostava que tu o quisesses.
Não te quero dar nada que não queiras.
Nada que limite ou mude o que és e eu adoro.
E isso, é no fundo um sonho a que não me posso dar ao luxo.
Não posso depender da tua presença.
E eu sei que não dependo.
Mas mas nesta altura a ideia aterroriza-me.
É como encontrarmos algo que achamos realmente especial e a partir daí fazermos tudo para não a perder.
Corremos o risco de nos esquecer de tudo o que podemos viver nas entrelinhas.
Como se viver tivesse de ser nas entrelinhas.
Isso é anularmo-nos
Os momentos que passamos juntos e que eu realmente adoro, tem o lugar deles na minha e na tua vida.
Sempre que tu quiseres.
Sempre que eu quiser.
Não podem é ser tão valorizados da minha parte.
Por isso da última vez que me telefonaste a dizer que não podias vir, bloqueei.
Fui frio como tudo.
No fundo já estava á espera.
Não sei se por ser pessimista, se por ter baixado tanto as expectativas em relação ao que possas sentir por mim, mas já esperava que o fizesses.
Vim a pensar nisso quando vinha para casa no metro.
Olhava para o telemóvel a pensar quando é que me mandavas um sms ou telefonavas a dizer que não podias vir.
Quando o fizeste só consegui concordar com o que disseste.
No entanto senti-me posto de lado.
E pior ainda, senti que de certa maneira não te tinha dado a atenção que precisavas ou esperavas.
Parecia que te estava a despachar.
Bolas, não consegui pensar em mais nada o resto da noite.
Ok, estavas cansada.
E no dia seguinte não disseste nada.
Se por um lado achava que não tinhas nada que o fazer, por outro, não consegui deixar de pensar se te devia dizer alguma coisa.
Obviamente tinha vontade de o fazer mas, mais uma vez, não queria parecer obcecado.
Também não queria que pensasses que estava chateado contigo por algum motivo.
Se há algo que odeio é estar chateado contigo.
Pior só se estiveres tu chateada comigo.
E não queria que pensasses que só porque já tínhamos estado juntos depois daquele incidente estúpido que eu ia pensar que estava tudo como antes do mesmo.
Quem me dera que estivesse.
Se estivemos juntos foi só porque precisaste da minha ajuda.
Pensar em mais que isso era, mais uma vez, sonhar acordado.
No fundo não gosto de me sentir assim.
Odeio esta minha carência afectiva e esta minha estúpida insegurança.
O caminho da minha apatia.
E tu, no meio disto tudo, foste apanhada de surpresa.
Não que o que sinto por ti seja resultado disso, mas porque afecta e de que maneira o modo como to demonstro.
Ou como não o faço e o reprimo cá dentro.
Ultimamente até tenho medo que isso te afaste.
Embora tu já saibas o que sinto por ti.
Daí que, se te afastares é porque queres e eu tenho de respeitar e aceitar isso.
E mais do que isso, terei de encontrar em mim a força para seguir em frente.
Por mais que te queira agarrar e beijar.
Por mais que te deseje.
Por mais paixão e carinho que tenha por ti.
Porque nada do que sinto por ti vale a ponta de um corno se não respeitar as tuas decisões.
Acima de tudo não posso deixar que um telefonema a desmarcar uma sessão de cinema me faça passar metade de um sábado na cama sem vontade de sair dela, ou, passar o resto do fim de semana a ver séries de televisão que nada fazem para desenvolver a nossa inteligência ou acrescentar algo á nossa cultura enquanto encho as veias de chocolate.
Ou perder tanto tempo a pensar nas razões que levaram a que acontecesse dando-lhes demasiada importância e a escrever tanta coisa estúpida do ponto vista racional.
Correndo o risco de te magoar ou ser mal entendido.
No fundo continuo cheio de medo em relação a ti.
Medo de te perder por tudo e por nada.
Por te querer tanto.
Por to mostrar.
Por to esconder.
Preciso da tua ajuda para quebrar este ciclo.
Desta vez a minha insegurança não pode vencer.
Desta vez fugir não vai fazer com que fique tudo bem.
Só me vai deixar mais uma vez a sonhar com o que poderia ter sido.
Um dia terei de lidar com isso, mas quanto mais tarde melhor.
Primeiro quero aprender a lidar com tudo o que sinto por ti.
Mas até isso acho que é sonhar acordado...
Sunday, 28 December 2008
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