Sunday, 4 January 2009

Quero seguir em frente, mas não te quero deixar para trás.
Não será isto a minha desculpa do costume para fugir do que me magoa?
Correr em frente sem olhar para trás até que o coração se esqueça.
O pior é que ele lembra-se sempre.
sempre que te vejo.
Sempre que aparece alguém novo.
Sempre que começa tudo outra vez.
E isto não será uma desculpa para não fugir?

Hoje não tenho saudades tuas, é pior.
Como todos os dias, sinto uma necessidade estúpida de voltar a estar contigo.
Sim, tudo o que sinto é estúpido por se tornar numa razão para andar angustiado, alimentando assim o ciclo.
Sim, estou uma merda, mas não morro disso.
E sim, a tua companhia é, nestes últimos meses, o meu melhor balão de oxigénio.
A tua atenção.
As tuas provocações á minha maneira de ser (demasiado) rígida.

Mas ando triste.
Sinto que se alguma vez o "nós" teve uma única hipótese, dei cabo dela.
Destruí eu o meu sonho antes que tu o fizesses.
E agora choro a sua morte e odeio-me por o ter feito.
Por ter achado que eras forte o suficiente para me impedir.
Como se tivesses de ser.
Afinal o sonho é meu.
E eu fiz questão de te dar todas as razões para não acreditares nele.
Para o abandonares.
Para ficares imune ao que sinto e sou.
Tão estúpido, isso sim é o que realmente sou.
Ainda o tenho, moribundo, letárgico, como eu a enfrentar a vida.
Sem paixão em nada do que faço.
Parece que me morreu tudo cá dentro.
Em terra batida nem as ervas daninhas nascem.

O que eu precisava de te dizer isto tudo cara a cara.
Não que mudasse alguma coisa em ti, mas em mim.
Porque estou á procura da mudança, mas não te quero perder.
Não quero perder o que tenho de ti.
E se me odeio, tenho de arranjar forças para mudar.
Em mim.
A puta da coragem que sempre me faltou para te dizer cara a cara, que não consigo pensar em mais ninguém.
Que só em ti é que consigo ver algum sentido.
E não me parece que isto me tenha sido dito pelo desejo.
Quanto muito terá sido esta carência que tenho da tua pessoa.

Ando assim tão perdido.
E quando este mês fores para o estrangeiro, vou fazer das tripas coração para me aguentar.
Não quero saber como, mas quero cá estar quando voltares.
Perdido ou encontrado, apaixonado, cheio de desejo ou vazio dos dois, mas quero cá estar.
Para fazer parte da vida da pessoa que adoro e da mulher que desejo.

Eu não to digo e tu não mo lês, mas o que sinto por ti continua aqui, a aguentar sem saber porquê, á espera que um dia ou eu to diga ou tu o leias, para que possa então viver ou partir em paz...

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