Vou-me deitar a odiar a felicidade alheia.
E a odiar-me a mim.
Por nos ter posto onde estamos.
Por me ter levado mais uma vez ao mesmo fim.
Por ser um estúpido ao ter imaginado que alguma vez na vida teria a mínima hipótese com alguém como tu.
Cada vez mais a vida parece-me um castigo que mereço.
Por todas as escolhas erradas que fiz.
Por todas as vezes que sonho.
Por todas as vezes que me deixo guiar pelas emoções.
Sentimentos são fraquezas, e eu merda, sou um fraco.
Não me perdoo.
De modo algum.
Quando se odeia tanto o mundo lá fora, só se sai por motivos de sobrevivência.
Para continuar a sofrer o merecido castigo.
E se eu o mereço.
Isto não é autocomiseração, é ódio pela pessoa em que me tornei.
Pela mão das escolhas que fiz.
A culpa é minha, só minha.
Mas dói, e dói tanto ver alguém a ser feliz.
Dói sentir-me amputado por não me deixares fazer-te a ti.
Como haverias de deixar.
Se eu me odeio, porque haverias tu de gostar de mim?
Tudo o que tenho para te mostrar só te vai afastar ainda mais.
Até para ser covarde é preciso coragem, eu nem para isso.
Volto á minha esfera, á minha escuridão.
Mais um ciclo que termina, nojento e horrível como os anteriores.
Mais uma tentativa falhada de o quebrar.
Precisava da tua ajuda.
E se eu acreditei que eras tu a pessoa certa.
Se te pedi ajuda.
Mas ninguém é obrigado a carregar um fardo tão pesado.
Do fundo da minha letargia, odeio o mundo lá fora.
Odeio a realidade fria que me acorda dos meus sonhos.
O único sitio onde te seguro nos meus braços todas as noites.
A única coisa que odeio em ti é quando te consideras pior que eu.
Quando achas que és pior porque tens outras escolhas.
Vê a prisão para onde as minhas escolhas "correctas" me levaram.
Vê bem o verdadeiro "buraco negro" em que me tornei, e depois, tem a ousadia de te achares pior do que eu.
Nem nos teus piores pesadelos lá chegas.
Eu sempre fui e odiei ser assim.
Sempre foi essa a minha falta de paz de espirito.
Mas não te enganes, só escolheste outro caminho.
Olha para mim como um exemplo do que não queres para ti.
Do que não queres na tua vida.
E evita-o a todo custo.
Os ciclos auto-destrutivos estão em todo o lado.
Eu fujo das pessoas que gosto e levo-as a não gostarem de mim.
A evitarem-me.
A esquecerem-me.
Tu magoas-las para que se afastem e tentas que tenham o mesmo fim.
Não queiras acabar como eu, preso dentro desse ciclo, sem forças para sair dele.
A ver afastar-se a pessoa que mais queres na tua vida e a arrependeres-te do que fizeste quando já nada podes fazer para o mudar.
Não acabes como eu minha luz.
A odiar o mundo e a ver a vida como o carregar de uma cruz.
Odeio-me.
Hoje era uma boa noite para desaparecer durante o sono.
Não vou ter essa sorte.
Estou condenado a acordar destroçado por não te ter ao meu lado...
Tuesday, 30 December 2008
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