Saturday, 7 February 2009

Isto ou tem dias, ou tem semanas, ou tem o raio que o parta.
De manhã no metro vi uma gaja qualquer a por batom nos lábios.
Lembrei-me de te ver a pôr o teu do cieiro.
E comecei a imaginar como seria o sabor dele temperado pelos teus.
Já mandava os sonhos para o lixo.
A minha capacidade de os ter.
Agora até com a publicidade da pandora fico deprimido.
"Com quantos corações me amas?"
Que pergunta parva.
A resposta é tão básica e tão cliché que até me irrita.
COM O ÚNICO QUE INTERESSA.
E custa saber que só não me dizes nada porque não queres.
Custa-me ainda mais saber que estou deste lado com a alma às voltas, torcida e espremida, á espera de uma qualquer notícia tua.

Mentalizar-me que está tudo fora do meu alcance, que tenho de seguir sem ti, é fodido.
E fodas destas qualquer pessoa dispensa.
Malditas crises de ansiedade, de choro, de angústia, de comiseração e de raiva por me sentir assim...
Tenho de alimentar a esperança de que te vou conseguir sobreviver.
Ao teu desprezo, ao meu desespero, á tua mágoa...
Como é que fui capaz de te magoar assim?
De nos afastar assim...

E depois, no meio desta confusão toda, vem a vontade estúpida de te beijar, de te abraçar...
Do nada, completamente sem sentido.
Fora de tempo.
Tenho de arranjar forças em mim, do fundo da alma ao fundo das tripas, para seguir em frente.
Com ódio, raiva, paixão e desejo, tudo á mistura, a caracterizar o caos em que me deixaste.
No monte de ruínas em que me tornei á tua passagem.

Se era para ser assim, mais me condeno por nos ter apontado o caminho.
Tão estúpido que fui para nós.
E eu sei que já nada adianta, já nada muda, que me é impossível dar-te o que quer que me possas pedir sem levar com o que sinto agarrado, como que selo numa carta, mas desculpa-me todo o mal que te fiz.
Desculpa-me por me ter tornado nisto que sou.
Uma sombra do que podia ser uma luz a brilhar.
Ao teu lado ou só por si.
Desculpa por todo o mal que nos fiz.

Não to consigo pedir de forma mais sentida, e mesmo que sinta que é em vão, tenho de to pedir.
Mesmo que tenha sido com a melhor das intenções.
Mesmo que ache que não há perdão possível.
Mas tenho de tentar tudo para me livrar do peso desta culpa que carrego.
Que me curva e só deixa ver o chão.
Que me impede de levantar os ombros e olhar outra vez de frente para a vida.

Não te quero de volta porque não te tive, mas quero o que tinha de volta.
O que tínhamos de volta.
O meu desgosto é saber que é impossível.

Dói deitar-me mesmo que com a esperança de que entre os lençóis e as lágrimas reencontre alguma paz de espirito...

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