Friday, 28 August 2009

Sinto uma tristeza estúpida a apoderar-se de mim.
Eu já aqui estive.
E o tempo, o tempo não me mudou nada.
A mudança não é exterior.
Seria demasiado fácil.
Estou mais velho, e continuo a padecer da mesma doença.
Do meu egoísmo em querer ser feliz a fazer-te a ti.
Todos os dias.
Haverias tu de o querer, que feliz ficava eu de me concederes a honra.
E isto faz algum sentido?
Parece-me que deixei de viver.
Vegeto, não mentalmente, mas, emocionalmente.
Um coração num coma profundo.

E se por acaso suponho que já voltaste, que não me dizes nada, que me tornei assim, no objecto do teu completo desinteresse, é-me dificílimo conter as lágrimas.
É o coração a bater, a dizer que está vivo, mas que não me serve para ser feliz.

Acho triste que não nos falemos mais.
Que não nos voltemos a ver.
Que tenha caído assim tão fundo no teu desprezo.
Minha menina linda, que enfeitas os meus sonhos e me temperas as lágrimas ao acordar deles.
O mundo, o meu mundo, tornou-se mais feio e triste desde que perdeu o contacto que tinha com o teu.
Continuo a perguntar-me se tudo isto alguma vez fará sentido.
E mesmo sem o encontrar, porque sigo eu?
Não pode ser esperança.
Senão porquê tanto desespero?
E como se vivo a cada dia a certeza de te ter perdido.

Uma vez perguntaste-me o que queria eu de ti.
Agora, e fora de tempo, sei que seria fácil dizer-te "Tudo o que me puderes dar em troca do que eu te der. E viver o que quer que seja, intensamente, juntos, até um de nós se cansar".
O que me dói, muito provavelmente, a origem do meu remorso e do meu desassossego, será o facto de, por ansiedade, ter perdido a oportunidade de o viver.

Agora, agora que me desapareceste, entristeço de viver.
E continuo.
Por orgulho ou teimosia, a envelhecer sem desistir.
Da vida, de te sonhar, de te fazer sorrir, ou de num dia encontrar quem se dê ao trabalho de lutar pelo que fizeste ruir.
Talvez seja essa a esperança, mas a julgar pela minha tristeza, a tal que me visita nas horas negras do dia, é insignificante perante o que ainda sinto por ti.

Que fique como o plano de fuga de alguém que não quer fugir.
Porque eu quero-te é a ti.
Maldito peito este e o seu tanto sentir...

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