Hoje levei a mochila do lado direito.
O esquerdo já estava pesado que chegue.
As coisas absurdas de que se lembra um coração apaixonado.
E este, continua, nesse lamentável estado.
Os anos que me andei a convencer.
Que não preciso de ti para ser feliz.
É só uma paixão passageira.
Um acesso de febre libidinoso.
Somos completamente diferentes.
Estamos longe um do outro.
Nunca vai resultar.
Não está destinado a acontecer.
E o "rosário" continua, por uma bíblia que o meu coração se recusa a ler.
É que sem ti, contínuo sem ser feliz, mas sinto-me ainda pior.
A febre continua.
As diferenças continuam.
E se me seduziram.
Ainda seduzem.
A distancia aumentou, física e emocionalmente, do teu lado.
Logo não resulta porque nem se tenta.
E nem se tentou.
E como não se tenta, aceita-se a desculpa bacoca do destino.
Porque o destino é mesmo isso, uma desculpa.
O que é que eu nos fui fazer.
Sei que te quero ver.
Mas não posso.
Sei que te quero falar.
Mas não posso.
Sei que te quero ouvir.
Mas não posso.
Porque tenho medo que mais uma vez mo confirmes.
Porque vivo dominado pelo medo de que me faças sofrer.
Ainda mais.
E eu a ti, mais ainda.
É que ás doses diárias de penúria, desprezo e auto-comiseração, sinto-me cada vez mais imune.
Mas continuo sem te poder ver.
Porque já sei o que me ia acontecer.
A reacção do costume.
As pupilas dilatadas.
As minhas vontades revoltadas.
Os lábios fechados para não te beijar.
As mãos a segurarem nos bolsos os braços para não te abraçar.
Eu a olhar para ti constrangido.
Porque vieste ver um amigo e ele está perdido.
Porque quero-te esconder o que sinto e não consigo.
E depois vejo-te afastar.
Porque provavelmente acabei por to mostrar.
Estou mesmo a ver o que dirás de mim.
Ele não ultrapassou a situação.
Ele não ganha juízo.
Ele não quer perceber.
Está obcecado.
É um parvo sem carácter.
Fraco.
E todo o chorrilho de coisas que dizemos quando somos nós o alvo de um afecto não desejado.
É por isso que não posso.
É por isso que não te digo nada, mas anseio que mo faças.
Todos os dias.
Que arrogância minha pensar que te tenho essa importância.
Ainda mais agora que não me queres para nada.
Mas para mim são demasiados anos deitados fora.
Pior.
É uma amizade, que se lixem os anos.
Que apesar de tudo, valorizo imenso.
Fazias parte de mim, e sem ti, sem a minha querida amiga, perdi parte da minha identidade.
Mas também são demasiados anos a reprimir o que comecei a sentir.
E agora, tudo o que faça, temo que te vá incomodar.
Este medo domina-me tudo.
No fundo, e mais uma vez, o que é que nos fui fazer?...
Friday, 18 September 2009
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