Sunday, 11 October 2009

No caminho da autodestruição, rosas negras enfeitam as sarjetas com os seus espinhos, quais facas afiadas, languidamente apontadas ao coração, por entre as sombrias pétalas que reluzem com a minha perdição.
As pestanas dobram com o peso do sal, forçando as pálpebras a encobrirem o brilho encharcado dos olhos, afundados pela escuridão das noites mal dormidas.
Foi mais uma noite em pranto.
Que outros lábios seduzem o nome da tua ternura, e afundam no teu esquecimento este afastamento que me consome?
Quem dança feliz da vida e do coração ao som do teu riso?
Quem envolves agora tu nos teus braços e sente a suavidade dos teus lábios aterrar-lhe no rosto?
Tem noção da fortuna que lhe caiu no colo?
Olha, não me interessa quem é.
Isto é tão somente a minha inveja a perguntar, porque sim, queria tanto ser eu.
Se estiveres bem, se estiveres feliz, vou-me convencendo de que tudo o que preciso é de o saber.
E vou reprimindo o sentir que me escava as veias.
Eu preciso é de ti.
Não como amante.
Credo.
Maldito desejo.
E não como qualquer coisa parecida com uma namorada.
Mas da tua companhia.
Porque tenho saudades dela.
De falar contigo, de sorrir quando me mostras as tuas ideias.
E odeio, odeio o desejo que te tenho e que me envenena a alma.
Se eu o pudesse chupar pelos pulsos e cuspir cá para fora, haveria então de sorrir, mas livre.
Com os dentes e os lábios ensanguentados, o rosto pálido, mas livre.
Livre para estar contigo.
Como estávamos antes.
Ah odeio o que nos fiz.
Odeio-me pelo que quis.
Com as descartáveis não dá jeito nenhum, e eu, acordo todos os dias para me lembrar que não servi sequer para ser mais um.
Com os pulmões a doerem do ar bafiento deste quarto, o meu sudário.
Os ossos do cadáver que me vou tornado, pesados e afundados entre os lençóis gelados da cama.
Posso ser um tolo por te querer tanto.
Posso ser um tolo porque depois deste tempo todo ainda penso em ti.
Mas preferia ser um tolo na tua companhia do que nesta tua ausência cujo o travo me agonia.
Faço do tempo a faca que me tenta lancetar a dor e que no processo me vai sangrando a juventude.
Se durar muito, quando morrer só confirmarei o que fui em vida.
Uma repugnante doença ambulante.
Talvez no processo alguma coisa mude.
Mas ajuda-me por favor.
Ambos sabemos que não era isto que queria.

Não para mim, menos ainda para nós...

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