Tuesday, 15 December 2009

Esta dor que vou sentindo no peito é um efeito.
E a distância, física ou emocional, é somente a causa.
Quando racionalmente me apercebo disto entro em pânico.
Sempre contidamente, sempre internamente.
Vou descobrindo que é possível chorar para dentro.
Instala-se o medo de que saias da minha vida para não voltar.
Ou para participares nela com menos intensidade do que aquela a que me habituei.
Do que aquela que ainda não esqueci.
E o medo, ah o medo.
O medo de que já tenhas saído.

Porque se existe algo pelo qual anseio é por voltar a ter a tua companhia.
Como tinha antes.
Apesar da razão me dizer que nunca vai ser possível.
Porque de ti vou querer sempre mais.
Porque de ti nada me é suficiente.
Porque não estás disposta a isso.
Porque já não confias.
E temo tanto não conseguir controlar os meus sonhos.
Voltar a desiludir.
Não suporto a ideia de te voltar a magoar.
Fico enojado com a minha existência ao lembrar-me do mal que sou capaz.

É uma luta entre o que este coração deseja e o que o teu me pode dar.
Não estando habituado a desistir, hei de o fazer.
Se lutar pelo meu sonho põe em risco o que ainda tenho de ti.
O que ainda me quiseres dar.

Parece que o meu mundo perdeu o centro.
Gira sem órbita numa realidade onde tudo e todos parecem não passar de cometas.
Passam rápido sem deixar nada mais do que uma ténue lembrança.

As minhas que tenho tuas são tudo menos ténues.
Não fazem parte destes meus tormentos.
Têm a tua alegria gravada bem fundo nelas.
São a minha bóia de salvação neste marasmo.

Tenho de enfrentar e vencer os meus medos porque é a única coisa que me é possível mudar.
É que quero-te tanto que até dói.
Quero tanto a tua companhia.
Ouvir-te falar.
Ter a tua atenção.
Sentir o teu olhar a tentar interpretar-me.
Recordar o teu cheiro.
O teu riso.
Descobrir novos traços do teu sorriso.
Novas direcções no teu olhar.
Merecer a tua amizade, o teu afecto.
Reconquistar a tua confiança.
E guardar toda cá dentro, defendendo-a com a minha própria vida.

Mas não quero pensar mais nisto.
Não quero alimentar expectativas.
O meu comportamento para contigo deixa de ser genuíno se o fizer.
E a ansiedade instala-se destruindo tudo onde toca.
A dor em lágrimas afiadas deslizando pelo rosto.

Eu quero é voltar a rir-me contigo...

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