Thursday, 25 November 2010

ele é chegar assim, a casa, de lágrimas nos olhos, os braços frios, o corpo dorido, seja da gripe ou da falta do teu corpo.
tenho de cortar tudo.
porque qualquer resto magoa e eu já não sinto em mim a força para aguentar.
queria tanto ver-te.
ouvir-te falar que nem uma tontinha.
a falta que me fazes.
o tanto que te quero.
em Londres eram todas tão lindas e eu só me lembrava de ti.
de como seria se estivesses ali comigo a ver "o beijo" do Rodin.
a beleza está para além dos olhos.
só não vê isso quem não quer.
nem sei se não será um mecanismo de defesa.
da desilusão da felicidade que imaginamos.

no meio de todas as promessas, as que me fiz, e as que te fiz a ti, morrem as forças para as cumprir.
quando o peso das correntes do nosso silêncio as afundam na escuridão da silhueta deste passado que se arrasta.
respira fundo.
não vais entender nada.
do que foi.
do que já não é.
do que já nunca vai ser.
não nos agrada mas somos uma porcaria a desenhar.
é que certos contornos fazem falta.

destruímos toda e qualquer ligação que nos pudesse unir.
tu porque não as queres.
eu porque não as posso sentir.

é lento e doloroso o afastamento.
está quase, espero.
não me posso ir abaixo.

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