para que não haja dúvidas.
tenho medo de te dizer o que sinto.
medo que depois não te volte a ver.
porque deves estar tão saturada como eu.
já te devia ter dito que é esta situação que me magoa.
magoa e revolta.
eu percebo que não entendas o afastamento.
afinal vês-me ou vias-me como um amigo.
mas não é nada contra ti.
continuo a querer-te feliz.
só que se uma pessoa me disser que ama outra sem qualquer sentimento de posse, eu dou-lhe a triste noticia de que está iludida.
e eu quero-te e para mim.
e dói saber nunca vai acontecer.
e irrita-me esse sentimento de posse que não gosto e não sei de onde vem.
que vai contra tudo o que penso.
tal como a ansiedade quando entras na minha vida e fico sem saber o que te dizer.
o que fazer.
é aflitiva e não é normal.
mas admito-o.
não sou hipócrita.
nem te vou dizer que estou bem.
não vou sorrir quando entristeço ao pensar no que tenho de ti porque continuo a sonhar com mais.
e quem sou eu para to pedir?
gostar de ti afasta-nos mais do que nos aproxima.
eu quero ver-me livre disto e parece impossível.
agarro-me à experiência para acreditar que um dia me passa.
que um dia vamos poder voltar a falar como antes.
que vou olhar para ti e não vou ver a mulher que amo, mas a amiga que não perdi.
neste momento é impossível.
por ter tanta certeza no que sinto e por ser só eu a senti-lo pareço um obcecado.
não pode ser.
a vida continuou.
custa porque é ir contra a vontade que tenho.
é ir racionalmente contra tudo o que sinto por ti.
e sim custa cada vez que penso no que esta decisão nos pode fazer.
no que nos pode magoar.
não, isto não é nenhuma declaração de amor.
essa esperança morreu há dois anos.
é o desabafo do que sinto porque ambos sabemos o que acontece quando o recalcamos durante tanto tempo.
e é para não me fazeres perguntas como "não queres saber de mim?" ou "que mal é que eu te fiz?".
eu quero sempre saber de ti.
ainda não passa um dia em que eu não dê por mim a pensar em ti.
só queria querer saber com um bocadinho menos de força.
sem ficar triste por me lembrar logo a seguir que não sou eu o alvo do teu afecto.
e não é o mal que me fazes, mas o que a estupidez desta situação faz.
da qual nenhum de nós tem culpa.
se não pararmos com isto agora, só nos vão sobrar as recordações destes dois anos em que andei a fugir de te dizer na cara o que sinto com medo de te perder completamente, e tu com medo de tocares no assunto para que o "defunto" não voltasse a chatear.
espero que percebas que se de repente eu desaparecer, não é nada contra ti.
como é que alguma vez podia ser.
é só um acto de desespero meu à procura de uma solução que nos sirva.
não me desapareças tu.
a minha força está na esperança que tenho que quando isto acabar, tu ainda estás onde eu te possa falar e ter como a amiga que me dizias querer ser.
porque tenho saudades do que éramos antes.
talvez isto seja só eu a ser sinceramente ingénuo.
já estou farto desta comiseração estúpida e deste dramatismo a empestar tudo o que digo ou faço.
e já não sei que mais posso eu fazer para ultrapassar esta situação.
vou deixar este texto aqui, publicado com todos e tudo o que não tive coragem de te dizer.
há dois anos tentei dizer-te só isto.
como é que era possível organizar e por tudo por palavras com o coração a mil à hora?
ainda pareço uma criança assustada com tanto do mesmo medo.
que no fim um dos dois tenha desaparecido de vez da vida do outro...
Monday, 6 December 2010
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